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Entrevista com Nick Farewell para celebrar o Dia do Escritor. 

O escritor Nick Farewell nasceu na cidade de Chuncheon, na Coréia do Sul. Migrou para o Brasil aos 13 anos e desde então é brasileiro. Como ele diz, no lugar onde mais importa: no coração. Antes de ser escritor, fez engenharia mecânica (POLI-USP) e se formou em publicidade e propaganda (ECA-USP). Durante alguns anos, trabalhou como redator em grandes agências de publicidade até virar escritor em tempo integral. Autor de sete livros, Nick ficou famoso entre o público mais jovem com o livro GO, que inclusive inspirou algumas leitoras a tatuarem a palavra GO no próprio corpo (veja matéria na Folha). A língua nativa de Nick Farewell é o coreano, mas ele escreve livros em português. Neste Dia do Escritor, 25 de julho, ele é nosso entrevistado aqui no blog da TUNG. 

Quando você decidiu ser escritor? 

Na verdade, eu nunca pensei em ser escritor. O que eu era ou sou, é ser leitor. Sempre gostei de ler. Li absurdamente na adolescência até terminar a faculdade. Foi aos poucos foi surgindo a vontade de escrever as minhas próprias histórias. Comecei a escrever um livro em 2004 e a história e a necessidade de dedicação foi crescendo e foi um caminho natural abraçar à literatura. O primeiro romance GO foi concluído em 2006. Lançado em 2007 e escolhido pelo MEC para estar nas bibliotecas dos colégios do todo Brasil em 2009.

Qual o livro favorito de sua autoria e por quê?

É “Uma vida imaginária”. Conta a história de um casal em 18 anos de casados. Foi um desafio, porque no fundo se trata de um livro de matemática e física. Estava obcecado em representar a realidade em outra dimensão. Tomei como modelo a Teoria de Cordas e me obriguei a pensar e decodificar o banal e cotidiano em extraordinário nas realidades que não são vistas aos olhos nus. Tenho muito orgulho desse livro, porque é um livro que traz várias camadas e dimensões. Foi a minha tentativa de traduzir a realidade superior em linguagem simples e deixar a interpretação para os leitores. É meu favorito, porque fiquei satisfeito com a minha complexa intenção. 

Alguns leitores tatuaram o nome do seu livro GO na pele. Qual nome de livro você tatuaria no seu corpo?

Difícil dizer, porque eu mesmo digo para os meus leitores para não fazerem (risos). É muita responsabilidade e é para sempre. Mas se eu tatuasse, tatuaria “Fahrenheit 451”, que é uma declaração de amor aos livros.

Recentemente você participou em um evento em Seul, na Coreia do Sul, com o tema Seminário Plataforma Para Comunicação e Paz com a presença de outros escritores. Conte mais sobre essa experiência. 

Faulkner diz que a voz do poeta não deve ser apenas testemunha. E sim, um dos pilares e estacas que ajudarão a humanidade a resistir e vencer. Basicamente o seminário era sobre analisar a atual conjuntura mundial e buscar alternativas e soluções do que os escritores podem fazer. Coube a mim com muita honra representando o país discursar na cerimônia final. O discurso foi simples. Disse que a resposta era o amor. Entender, compreender e amar o próximo. Eu realmente acredito que essa é a solução para o nosso complicado tempo. Amar. É a pequena e grande contribuição que os escritores podem fazer, falando e escrevendo sobre o amor.

Conte um pouco sobre a cena literária na Coreia do Sul. 

É bastante intensa e organizada. Existem associações de escritores e a população respeita muito. Tanto é que eles não chamam escritores de escritor. Chamam de “professor”. Foi estranho ser chamado de professor durante a minha estadia (risos). É um país que leva a literatura a sério. Foi um motivo de festa nacional quando Han Kang ganhou Man Booker Prize. Transportando para o Brasil, o meu desejo nem é esse panorama que tem na Coreia. Gostaria apenas que tivessem mais leitores no Brasil. 

Qual seu escritor favorito?

São três. James Joyce, Thomas Mann e Ernest Hemingway. Eu costumo chamá-los de Deus, sacerdote e homem, respectivamente. 

Como é sua rotina de escritor?

Eu penso mais do que escrevo. Eu planejo bastante os meus livros. Ou seja, o tempo de preparação é bem maior do que de escrita. Por isso, quando vou começar a escrever, já tenho começo, meio e fim. E quando escrevo, sou bastante disciplinado. Eu costumava escrever na parte da noite, que eu rendia mais. Mas isso trazia limitação de volume. Então, eu me “redisciplinei” (não sei se existe essa palavra) para escrever o dia todo. Hoje em dia, quando escrevo, acordo bem cedo, por volta das 6 da manhã e só paro quando chega por volta da meia-noite. Isso acaba diminuindo o tempo de feitura do livro e me torna produtivo. Me tornei extremamente disciplinado quando escrevo. 

O que faz uma história ser uma boa história de livro?

Aquela que tem vida. Acho que é mais difícil perceber o que é vida ou não é do que escrever. Porque se trata da vivência. Misturado com suas leituras e experiências. O poder de entendimento, compreensão, síntese, esse critério e percepção é que determina o que é uma boa história e até se é um bom escritor. 

Qual conselho você dá para quem sonha ser escritor?

Ler e viver. Que é mais importante do que ser escritor. Ser gente é mais importante do que qualquer coisa. Tudo é expressão de vida. Conversar, almoçar, jantar, beber, namorar, tudo. Se quando o que sente e entende, só pode ser expressado através da escrita, você escreve. Assim você se tornará escritor. 

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